Um determinado espaço cibernáutico apelidado de "Quinta do Careca" apresenta-nos frequentemente algumas das publicações informais e parciais mais chocantes e impensáveis relativas ao nosso futebol e à actualidade desportiva do nosso país.
Tal seria normal, um mero blog de mais um lampião ("belenense", diz-se ele) não fosse o mesmo o director principal de um jornal desportivo nacional (que prima, segundo a sua linha editorial, pela imparcialidade) e não estivesse esse mesmo blog ligado directamente ao espaço online desse jornal.
Ora, Alexandre Pais (o nome do "Careca") presta-se às figuras mais auto-humilhantes e mais contraditórias com a posição oficial do seu jornal enquanto imparcial, praticamente todos os dias.
Como tal, e porque este tipo de cretinices merece ser divulgada o maior número de vezes possível, aqui coloco algumas dessas citações, para que este nível de baixeza e de total sobranceria possa ser partilhado e se possa reflectir no número de vendas diárias do pasquim liderado pelo "careca".
"Mas Record conduz-se exclusivamente por critérios editoriais e, entre eles, valoriza o que entende ser o interesse da maioria dos seus leitores. Compreendo que os adeptos do Sp. Braga e do futebol em geral gostassem de ver hoje toda a primeira página de Record a glorificar a fantástica jornada bracarense de Sevilha, mas nós entendemos que, para uma eliminatória de acesso à Champions, bastaria um grande destaque no alto da primeira página. E foi o que fizemos. Porque essa opção pertence aos jornalistas e à direção do jornal, e não aos
"(...) confirmar aos visitantes ocasionais aquilo que os nossos leitores já sabem: nada tememos, temos um rumo e mantê-lo-emos."
Pois bem, o "pasquim que bate recordes de imbecilidade", como dito e bem pelo ex-candidato à presidência do Sporting Paulo Pereira Cristóvão tem um rumo. Mantê-lo-à e nada teme. E se esse rumo pouco clarificado havia sido na primeira citação, relativa à "decisão editorial" que regeu a atitude do jornal no dia após a qualificação inédita do Sp. Braga para a mais importante prova internacional, talvez o mesmo aqui fique definitivamente identificado:
"E pensar que nos debatemos aqui, nos últimos anos, com a necessidade comercial de «pisar o risco», incensando na 1.ª página vitórias tangenciais e exibições medíocres, do género «Águias voam alto» ou «Aí está o Benfica!», tantas vezes quando o «alto» era baixo como o Colombo ou o «Benfica» que se exaltava nada tinha do Benfica que conhecíamos e que parece estar agora de volta. Será que já não precisaremos mais, não de mentir, mas de dar à verdade um embrulho de ouro para material de pechisbeque? Em nome de «Record», agradeço os bons ofícios de D. Enrique Sánchez Flores."
Este parágrafo, publicado a 4 de Outubro de 2008, após um bom momento do Benfica de Quique Flores, atinge níveis de facciosismo e nojo ainda mais preocupantes. Porque este não faz parte da "Quinta do Careca". Foi sim publicado na edição desse dia do referido pasquim, e refere-se ao serviço de anos e anos feito pelo jornal a esse clube mesmo quando os resultados desportivos do mesmo não o justificavam. Refere-se, em nome do próprio jornal, à alegria e ao alívio que era esse bom momento dos nossos rivais. Porque já não precisavam de mentir, de enganar o povo.
A 28 de Outubro de 2008, também através do Jornal Record:
“devo reconhecer que passei a torcer mais pelo Glorioso desde que tem este treinador, um homem sereno perante as contrariedades. (…) Que me perdoem, mas dá-me a ideia que, quando Cardozo cabeceou para a vitória, estiquei também o pescoço. Não devia, eu sei.”
É isto publicado num jornal que, no seu Estatuto Editorial nos apresenta a seguinte pérola:
"Record é independente de clubes, associações, partidos ou crenças religiosas, e rege-se por critérios jornalísticos de rigor e isenção"
A falta de vergonha que marca a actuação da comunicação social desportiva neste país é consumada e reflectida na perfeição nestes pequenos excertos soltados por alguém sem o mínimo de escrúpulos, de coerência, de classe.
Ontem, na edição de Record, o Careca refere-se assim à contratação de Timo Hildebrand por parte do nosso Sporting, numa crónica entitulada "Hilde quê? Força Rui, vai-te a ele!"
"Agora, num sinal claro de pouca confiança e quando precisam é de quem marque golos, os de Alvalade contratam este Hildebrand, que nem salário baixo terá. Mais um erro de gestão, mas com uma virtude assinalável: obrigará Rui Patrício a não atirar a toalha ao chão e a ser cada vez melhor."
No mesmo dia em que a capa do mesmo jornal era, numa clara tentativa de incendiamento e de deterioração do balneário do Sporting e de colocar os adeptos que apoiam Rui Patrício contra, também, a contratação de Hildebrand, a seguinte:
Contudo, a saga não termina aqui (e apenas me estou a cingir aos últimos dias, caso contrário ficaria uma publicação certamente interminável!) e hoje, o mesmo jornal volta a publicar uma capa no mínimo lamentável:
Concorde-se ou não com a política de contratações de JEB e Costinha e com a não contratação de um avançado para concorrer com Liedson, a verdade é que uma capa destas ultrapassa o domínio da factualidade, da objectividade, para entrar quase numa senda meramente opinativa, em que a opinião subjectiva do director do Jornal se torna bem visível. Não se viu uma única capa destas, por parte do mesmo jornal, quando Jorge Jesus "ficou a arder" sem as contratações de Armand Traoré, Hleb e o brasileiro Wesley.
Porque há, de facto, na vida, certos valores absolutos. E um cretino é um cretino, não deixará de o ser.