segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Escusado, muito escusado...

Não me causa espécie alguma que haja cânticos ofensivos dirigidos à lampionagem durante jogos contra eles, em que a rivalidade ferve e tudo faz parte do espectáculo. Nem acho condenável que esses sejam ouvidos em jogos próximos de derbys, ou até em quase qualquer outra altura. São rivais, já nos prejudicaram em muito, odiamo-los.

Contudo, acho sim perfeitamente escusado que esses mesmos cânticos sejam ouvidos num período de respeito e homenagem, como sucedeu no passado Sábado no Entroncamento, antes do início da Supertaça de Futsal. José Torres, uma pessoa cujos feitos e méritos desconheço por completo, faleceu há uns dias, e o minuto de silêncio que era suposto haver não foi respeitado, por parte de adeptos sportinguistas.

Não que compreenda, ainda assim, o porquê da aplicação de um minuto de silêncio em memória de um jogador de futebol benfiquista antes de um jogo de futsal entre Sporting e Belenenses.

Mas tal não desculpa, na minha opinião, e não torna menos lamentável a atitude de se desrespeitar a pessoa falecida (não o clube que representava) apenas pela sua principal associação clubística.

O princípio desse minuto de silêncio deixou-me orgulhoso, porque de facto havia silêncio (ou as cada vez mais costumes palmas) no pavilhão. Lembro-me de pensar: "Queria ver se eles faziam o mesmo, se fosse o contrário..."

E eis que fui obrigado a engolir o pensamento e a reprimi-lo, não sem uma ponta de vergonha.

Honestamente, ainda acredito na tão-repetida ideia de que somos de facto um clube diferente, de gente diferente. De que somos melhores.

Este sábado essa diferença foi manchada, e cabe-nos, para que esta continue bem vincada, continuar a demonstrar, diariamente, que somos, de facto, os melhores adeptos de Portugal.

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